Setembro – Mês de Prevenção ao suicídio

Por 19 de setembro de 2018Notícias

Maíra A. Andrade*

Muitas pessoas acham a vida tão preciosa que não conseguem entender por que alguém voluntariamente acaba com ela. Entretanto, de acordo com um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos uma pessoa se suicida no mundo a cada 40 segundos. Desta forma, o suicídio se tornou uma verdadeira epidemia de proporções globais, sendo uma preocupação constante em vários países. No Brasil, já se tornou um problema de saúde pública com o registro de aproximadamente 9 mil suicídios por ano ou uma morte a cada hora.

No Dia Mundial de Combate ao Suicídio, 10 de setembro, vale frisar que os números têm aumentando principalmente entre a população jovem. O suicídio é a terceira causa morte entre homens com idade de 15 a 29 anos e os distúrbios mentais estão associados a praticamente 100% de todos os suicídios registrados no país, contudo, embora o transtorno psiquiátrico seja condição necessária não é suficiente para o comportamento suicida.

É duro acreditar que crianças pequenas possam ser tão infelizes a ponto de tentar tirar suas vidas, porém, os suicídios entre crianças de 5 à 14 anos, tornou-se a quinta principal causa de morte nessa faixa etária. Crianças suicidas tendem a ter sofrido perdas precoces, frequentes e estressantes, como divórcio ou morte dos pais. Elas tendem a ser deprimidas, desesperançadas, impulsivas e zangadas. Alguns “acidentes” pré-escolares podem, na verdade, ser tentativas deliberadas de suicídio. Um estudo mostrou que a maioria das crianças suicidas tinham pais que não as desejavam e que as violentavam ou negligenciavam, tinham sido afastadas de seus pais pelo divórcio, colocação em casas-lares, adoção ou morte, e todas mostravam perturbações no comportamento de apego. A terapia lúdica desenvolvida neste estudo, revelou os motivos das crianças tentarem se matar, punir a si mesmas, fugir ou remediar suas situações dolorosas, ou ir ao encontro de uma pessoa querida, como um pai morto. Algumas pareciam acreditar que a morte é reversível.

Os números de suicídios entre os jovens está cada vez maior, onde eles não vêem saída para tempos difíceis em sua vida a não ser acabar com ela. O suicídio é a terceira principal causa de morte entre 15 e 24 anos, a principal causa são os acidentes, mas alguns deles podem, na verdade, ser suicídios. Uma tentativa de suicídio pode ser precipitada por uma briga com um namorado ou namorada ou com os pais ou por bullying (experiência vergonhosa ou humilhante), notas baixas, prisão, entre outros. Mesmo assim, muitos jovens têm experiências dolorosas desse tipo, e a maioria não tenta se matar. Aqueles que efetivamente tentam o suicídio tendem a ter história de perturbação emocional, comumente depressão, abuso de substâncias químicas, comportamento anti-social ou agressivo, ou personalidade instável.

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) está atenta a este problema de saúde pública e acredita que poderia ser atenuado, se os profissionais que atuam na saúde mental fossem mais bem capacitados e se os serviços de emergência, funcionassem de maneira adequada.

Na área de prevenção é necessário desenvolver estratégias de promoção de qualidade de vida, de educação e de proteção e de recuperação da saúde. Na área de informação são necessárias ações de comunicação e de sensibilização da sociedade de que o suicídio pode ser prevenido.

É fundamental que se organize uma linha de cuidados integrais (promoção, prevenção, tratamento e recuperação) em todos os níveis de atenção para garantir o acesso às diferentes modalidades terapêuticas. Para qualificar o atendimento, o governo federal, em especial o Ministério da Saúde, precisa urgentemente de ações de implantação de processos de organização da rede de atenção e intervenções nos casos de tentativas de suicídio.

Faz-se necessário o desenvolvimento de métodos de coleta e analise de dados, permitindo a qualificação da gestão, a disseminação das informações e do conhecimento. Ainda, existe no Brasil emergências psiquiátricas separadas da emergência geral, o que vai na contramão da tendência mundial que é ter a psicologia e a psiquiatria como especialidades de suporte ao paciente em situação crítica.

Psicóloga (CRP 05/32352), Pós graduada em Gestão Empresarial, Pós graduanda em Gestão Estratégica de Pessoas. Orientadora Vocacional com foco em Avaliação Psicológica. Na área clínica trabalha com adolescentes com Terapia Cognitivo-Comportamental. Já atuou com RH generalista em empresas de diversos seguimentos, tais como Indústrias, consultorias de RH, Tecnologia da Informação e Telecomunicações. Já atuou em Avaliações psicológicas de concursos públicos do Rio de Janeiro. Atualmente é Diretora e Responsável Técnica do Núcleo Integrado de Desenvolvimento Humano (NIDH) empresa especializada na prestação de serviços na área da Psicologia. Paralelo ministra cursos e palestras relacionados à área de Terapia Cognitivo-comportamental,  Avaliação Psicológica e Orientação Vocacional.

Abraços, equipe NIDH

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