2 de Abril – Dia mundial de conscientização do Autismo

Por 2 de abril de 2019Notícias

Dia Mundial do Autismo, celebrado anualmente em 2 de abril, foi criado pela Organização das Nações Unidas em 18 de dezembro de 2007 para a conscientização acerca dessa questão. No primeiro evento, em 2 de abril de 2008, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou a iniciativa do Catar e da família real do país, um dos maiores incentivadores para a proposta de criação do dia, pelos esforços de chamar a atenção sobre o autismo.

No evento de 2010, a ONU declarou que, segundo especialistas, acredita-se que a doença atinja cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem.

Em 2011, o Brasil teve o Cristo Redentor , no Rio de Janeiro, iluminado de azul nos dias 1 e 2 de abril, além da Ponte Estaiada em São Paulo, os prédios do Senado Federal e do Ministério da Saúde em Brasília, O Teatro Amazonas em Manaus, a torre da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, entre muitos outros. Em Portugal, monumentos e prédios, como a Torre dos Clérigos e a estátua do Cristo Rei em frente a Lisboa também foram iluminados de azul para a data.

Neste ano, 2019, a estátua do Cristo foi iluminada em 01/04/2019 com a cor azul às 18h30 desta segunda-feira, para chamar a atenção para o Dia Mundial do Autismo, lembrado tradicionalmente no dia 2 de abril. Nesta data, associações e grupos de apoio de diversas partes do mundo se unem em ações no entorno de monumentos e espaços públicos, iluminando-os com a mesma cor, para uma maior conscientização social sobre autismo.

“Divulgar os sintomas, para que mais pessoas conheçam, saibam como tratar e acolham aos irmãos que são portadores de autismo é, antes de tudo, um ato de amor testemunhado. É uma forma de nos colocarmos de braços abertos, como o Redentor, em prol dessa causa social”, afirma o reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar Raposo.

O autismo faz parte de um grupo de desordens do cérebro chamado de transtorno invasivo do desenvolvimento (TID) – também conhecido como transtorno global do desenvolvimento (TGD). Para muitos, o autismo remete à imagem dos casos mais graves, mas há vários níveis dentro do espectro autista. Nos limites dessa variação, há desde casos com sérios comprometimentos do cérebro além de raros casos com diversas habilidades mentais, como a Síndrome de Asperger (um tipo leve de autismo) – atribuído inclusive a aos gênios Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Mozart e Einstein. Mas é preciso desfazer o mito de que todo autista tem um “superpoder”. Os casos de genialidade são raríssimos.
A medicina e a ciência de um modo geral sabem muito pouco sobre o autismo, descrito pela primeira vez em 1943 e somente 1993 incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) da Organização Mundial da Saúde como um transtorno invasivo do desenvolvimento. Muitas pesquisas ao redor do mundo tentam descobrir causas, intervenções mais eficazes e a tão esperada cura. Atualmente diversos tratamentos podem tornar a qualidade de vida da pessoa com autismo sensivelmente melhor. E vale destacar que o neurocientista brasileiro Alysson Muotri conseguiu um primeiro passo para uma possibilidade futura de cura, em seu trabalho na Califórnia (EUA). Ele curou um neurônio autista em laboratório e trabalha no progresso de sua técnica na Universidade de San Diego. Tão importante quanto descobrir a cura, é permitir que os autistas de hoje sejam incluídos na sociedade e tenham mais qualidade de vida e respeito.

Nos últimos tempos, é possível observar um crescente aprofundamento dos estudos para o atendimento e educação dos portadores de Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) e/ou Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O autismo ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do desenvolvimento humano, caracterizado por alterações presentes desde idade muito precoce, observadas em mudanças de comportamento a partir dos 12 meses de idade, tipicamente antes dos três anos de idade, as áreas que apresentam alterações são as de comunicação, interação social, aprendizado e capacidade de adaptação. A criança apresenta estereotipias e parece não interagir com o mundo à sua volta. Suas causas ainda são desconhecidas e supõe-se que esteja ligado a anormalidades em alguma parte do cérebro, mas ainda é de forma inconclusiva. De acordo com estudos recentes, o autismo seria 4 vezes mais freqüente em pessoas do sexo masculino.

É comum os pais relatarem um período de normalidade antes das manifestações dos sintomas, ou antes de notarem. As mais comuns do autismo são de uma criança excessivamente calma e sonolenta, que chora sem consolo durante longos períodos de tempo, um bebê que não gosta de colo ou que rejeita o aconchego. Em muitos casos foi possível constatar que na verdade a regressão nunca existiu e que algum fator desencadeante só despertou a atenção dos pais para o desenvolvimento anormal que seu filho esta passando, em seguida os pais percebem que seu bebê não imita, não demonstra e nem compartilha sentimentos ou sensações.

Algumas crianças apresentam estereotipias, movimentos repetitivos com as mãos ou com o corpo, a fixação do olhar nas mãos por períodos longos e hábitos como o de morder-se, morder as roupas ou puxar os cabelos, emissão de sons desconexos, e auto-agressões diversas. Nota-se também os problemas com a alimentação, seja a recusa em se alimentar ou alimentos restritos, ou por textura e cores. Apresentam problemas com o sono, cerca de 30% dos casos de autismo podem ocorrer crises epilépticas.

A definição de autismo adotada pela AMA (Associação de Amigos do Autista), para efeito de intervenção, é o autismo como distúrbio do comportamento que consiste em uma tríade de dificuldades:

  1. Dificuldade de comunicação;
  2. Dificuldade de sociabilização;
  3. Dificuldade no uso da imaginação.

No atendimento psicológico, o foco de trabalho é o cognitivo-comportamental, no comportamento a busca pela redução e/ou extinção de problemas comportamentais que estejam afetando esta área, através das técnicas derivadas das teorias do condicionamento clássico e operante, visando a mudança de comportamentos disfuncionais e com maior interação com o ambiente.

Observamos que a comunicação e a convivência social são os principais focos do trabalho. Kaplan, em 1997, já indicava a Terapia Cognitivo-Comportamental, hoje vários autores e profissionais, como por exemplo, Teixeira, a recomendam para os seus pacientes.

Independente da linha escolhida, da forma de avaliação e intervenção, cada profissional tem como certeza que o tratamento deve começar o mais cedo possível, que as terapias devem ser adaptadas às necessidades específicas de cada criança e que a eficácia ou não do tratamento deve ser medida com os avanços e retrocessos de cada criança.

É um trabalho multiprofissional, envolvendo Psicólogos, Psicopedagogos, Fonoaudiólogos, Psicomotricistas e Terapeutas Ocupacionais, onde a criança receberá estímulos para o seu melhor desenvolvimento.

Também este ano, o Instituto Mauricio de Sousa lançou tirinha inédita e vídeos para comemorar o Dia Mundial do Autismo.

O objetivo é mostrar alguns sinais do Transtorno do Espectro do Autismo em crianças e chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce.

Uma tirinha inédita com a participação da Turma da Mônica e o personagem autista André, criado especialmente para falar sobre o assunto.  Saiba mais sobre essa tirinha acessando o link: https://www.revistaautismo.com.br/noticias/instituto-mauricio-de-sousa-lanca-tirinha-inedita-e-videos-para-comemorar-o-dia-mundial-do-autismo/

 

Abraços,

Maíra A. Andrade

Psicóloga – CRP 05/32352

 

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