Bullying – Brincadeiras que ferem

Por 9 de abril de 2018Notícias

Maíra A. Andrade

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De todos os temas relativos aos problemas comportamentais de crianças e adolescentes na sala de aula, aquele que sempre desperta o maior interesse e preocupação de educadores é o bullying. Essa palavra inglesa evoca os mais diversos sentimentos, pois a dor provocada nas vítimas se transforma em cicatrizes para o resto da vida.

AMEAÇAS, AGRESSÕES, HUMILHAÇÕES…

A escola pode se tornar um lugar muito ruim para crianças que sofrem nas mãos de seus próprios colegas, ainda mais nos dias de hoje, em que a internet pode potencializar os efeitos devastadores do bullying.

Você sabe o que é isso? Onde e como ele ocorre?

O bullying pode ser definido como comportamento agressivo entre estudantes. Esses comportamentos incluem atos de agressão física, verbal, moral ou psicológica que ocorrem de modo repetitivo, sem motivação evidente, praticados por um ou vários estudantes contra outro indivíduo, em uma relação desigual de poder, normalmente dentro da escola.

Bullying na escola:

  • Ameaçar;
  • Amedrontar;
  • Agredir;
  • Assediar;
  • Bater;
  • Colocar apelidos;
  • Chutar;
  • Dominar;
  • Derrubar;
  • Discriminar;
  • Excluir;
  • Empurrar;
  • Ferir;
  • Furtar;
  • Isolar;
  • Hostilizar;
  • Humilhar;
  • Intimidar;
  • Insinuar;
  • Ofender;
  • Perseguir;
  • Quebrar objetos pessoais.

O Bullying teve início em 1970, a partir de estudos de um pesquisador nórdico. Porém, só em 1982 chamou atenção da população, após um trágico acontecimento. Três jovens estudantes entre 10 e 14 anos cometeram suicídio em consequência do bullying na escola em que estudavam. Com uma grande comoção mdiante ao fato culminou em uma campanha nacional de prevenção ao comportamento bullying, coordenada pelo Ministério da Educação norueguês nas escolas de Ensino Fundamental.

O bullying sempre estará relacionado ao poder e/ou desequilíbrio de forças. O comportamento bullying sempre segue um padrão: uma relação desigual de poder em que um ou mais alunos tentam subjulgar e dominar outros jovens.

Formas do Bullying:

Verbal:
– Insultar;
– Xingar;
– Ofender;
– Zoar;
– Fazer gozações;
– Colocar apelidos pejorativos;
– Fazer piadas ofensivas.

Virtual:
– Através da internet divulgar calúnias, desrespeitos e depreciação da imagem.

Físico e material:
– Bater;
– Chutar;
– Espancar;
– Empurrar;
– Ferir;
– Roubar ou destruir pertences da vítima.

Psicológico e moral:
– Irritar;
– Humilhar;
– Excluir;
– Isolar;
– Desprezar;
– Discriminar;
– Aterrorizar;
– Chantagear;
– Perseguir;
– Difamar;
– Passar bilhetes e desenhos entre os
colegas de caráter ofensivo;
– Fazer intrigas, fofocas ou mexericos.

  • As vítimas:

No recreio encontram-se frequentemente isolados do grupo ou próximos de algum adulto que possa protegê-las.

Na sala de aula apresentam posturas retraídas, demonstram insegurança e ansiedade. Apresentam situações de exposições, humilhações e agressões. Mostram-se comumente tristes, deprimidas ou aflitas. Nos jogos ou atividades em grupo sempre são os últimos a serem escolhidos. Aos poucis vão se distanciando e se desisteressando das atividades e tarefas escolares.

  • Os agressores:

No ambiente escolar começam com brincadeiras de mau gosto, que rapidamente evoluem para gozações, risos, provocações. Colocam apelidos pejorativos e ridicularizantes, com explícito propósito maldoso. Kinsultam, difamam, constrangem, ameaçam e menosprezam alguns alunos. Fazem ameaças diretas e indiretas, dão ordens, dominan e subjulgam seus pares. Perturbam e intimidam, utilizando-se de empurrões, socos, pontapés, tapas, puxadas de cabelos ou de roupas. Estão sempre envolvidos de forma direta ou velada em desentendimentos e discussões entre alunos, ou entre alunos e professores. Pegam materiais escolares, lanches, dinheiro ou quaisquer pertences dos alunos.

  • Os espectadores:

São os que geralmente estão assistindo cenas diárias de Bullying com os colegas na escola e em sala de aula, mas preferem manter-se calados. Por medo de repressão dos agressores.


O Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola em 7 de abril de cada ano, é uma comemoração de brasileiros, que foi instituída pela Lei Nº 13.277 de 29 de abril de 2016, e que já vinha sendo de alguma forma comemorada em várias cidades e Estados por todo o Brasil.

Essa data comemorativa de brasileiros está relacionada com a data do “Massacre do Realengo”, que foi protagonizado pelo cidadão brasileiro, Wellington Menezes de Oliveira, que, aos 23 anos de idade, invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira localizada no bairro de Realengo na cidade brasileira do Rio de Janeiro-RJ, e começou a atirar com seus 2 revólveres contra alunos e funcionários da escola que se encontravam no local.

Durante esse malfadado dia, o agressor foi o responsável pela morte de 12 alunos [com idades entre 12 e 14 anos] e por causar ferimentos em outras 22 pessoas, num crime que causou grande comoção no país e teve ampla repercussão em noticiários internacionais de vários lugares do mundo.

Muito embora a motivação do crime conste como incerta, a nota de suicídio de Wellington e o testemunho público de sua irmã adotiva e o de um colega próximo, apontam para o fato de que o atirador era reservado e sofria bullying, além de pesquisar muito sobre assuntos ligados a atentados terroristas e a grupos religiosos fundamentalistas.

 

Maíra Amaral de Andrade – Psicóloga (CRP 05/32352), Orientadora Vocacional com foco em Avaliação Psicológica. Na área clínica trabalha com adolescentes com Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente é Diretora e Responsável Técnica do NIDH, empresa especializada na prestação de serviços na área da Psicologia. Paralelo ministra cursos e palestras relacionados à área de Avaliação Psicológica, Orientação Vocacional e Terapia Cognitivo-comportamental com adolescentes.

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