Medo ou Fobia? Onde termina um e começa o outro?

Por 7 de agosto de 2018Notícias

Maíra A. Andrade

Você lembra do filme Divertida mente? Sucesso de público e crítica da Disney e da Pixar, a animação vencedora do Oscar se passa dentro da cabeça de uma criança e diz muito sobre a forma como lidamos com os sentimentos.

No filme Divertida mente das Produtoras Pixar e Walt Disney Pictures, a personagem Riley se esforça para adaptar-se à uma nova vida, porém, uma enorme agitação toma conta do “centro de controle” em sua mente, fazendo com que suas emoções Alegria , Medo, Raiva, Nojinho e Tristeza entrem em conflito.

Hoje iremos falar do medo, que embora vista negativamente pelas pessoas, essa emoção pode auxiliar na rotina diária, pois é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrando receio em realizar alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. Ou seja, o medo é uma importante função na preservação da vida.

Essa sensação também pode ser identificada a partir do contato com algum estímulo físico ou mental (imaginação, crença) que gera uma reação de alerta no organismo. Esta reação inicial dispara uma resposta fisiológica no organismo que libera hormônios ligados ao  estresse.

Geralmente o medo é antecedido pela ansiedade, onde o indivíduo teme antecipadamente o encontro com a situação ou objeto que possa lhe causar algum mal. Sendo assim, é possível se traçar uma escala de graus de medo, no qual, o máximo seria o pavor e, o mínimo, uma leve ansiedade.

O problema é quando o medo assume o “centro de controle” da mente e passa a impactar na vida da pessoa, comprometendo as relações sociais e causando sofrimento psicológico. A partir destes impactos os psicoterapeutas devem estar alertas, pois há possibilidade de estarem diante de um caso de Fobia ou até mesmo de Pânico.

Segundo o DSM-V, as fobias fazem parte do espectro dos transtornos de ansiedade com a característica especial de só se manifestarem em situações particulares.

O termo Fobia se refere ao medo excessivo de objeto, circunstância ou situação específicos. Temos a fobia específica que é o medo intenso e persistente de um objeto ou de uma situação e a fobia social que é o medo intenso e persistente de situações em que possa ocorrer dificuldade nas relações sociais.

São vários os tipos de fobias, podendo ser de animais (aranhas, cobras, sapos, etc.); Aspectos do ambiente natural (trovoada, terremotos, etc.); Sangue, injeções ou feridas; Situações (altura, andar de avião, andar de elevador, ficar em lugares fechados, etc.); entre outros.

O que diferencia o medo da fobia é a intensidade e o impacto que ele causa na vida da pessoa. A avaliação para diferenciar esse impacto deve ser realizada mediante os critérios diagnósticos do DSM-V.medo - divertidamente

Já o Transtorno de Pânico se caracteriza pela ocorrência espontânea e inesperada de ataques de pânico, isto é, períodos distintos de medo intenso que podem variar de vários ataques por dia a apenas poucos por ano. Geralmente o pânico é acompanhado pela agorafobia (medo de ficar só em lugares públicos), principalmente em dias dos quais seria difícil uma saída rápida durante o curso de um ataque de pânico.

A importância da identificação inicial do medo, fobia ou pânico pelo psicólogo auxilia no diagnóstico e posteriormente no plano terapêutico a ser realizado através de técnicas específicas direcionadas para cada paciente.

Nesses casos a Terapia Cognitivo-Comportamental é a mais indicada, atuando de forma eficiente nestes casos.

O caminho para um bom resultado é a adesão do paciente ao tratamento, ter os problemas e os objetivos claramente identificados, além das estratégias alternativas disponíveis para lidar com os sentimentos. Dentre estas estratégias, temos a técnica mais utilizada pelos psicólogos que se chama Dessensibilização Sistemática. Com ela se constrói uma escala de medo, da leve ansiedade até o pavor, e, progressivamente, o paciente vai sendo encorajado a enfrentar o medo. Ao fazer isso o paciente passa, gradativamente, por um processo de reestruturação cognitiva em que ocorre uma reaprendizagem, ou ressignificação, da reação que anteriormente gerava a resposta de alerta no organismo para uma reação mais equilibrada.

Referências:

Divertida Mente, filme – Produtoras Pixar e Walt Disney Pictures, 2015 (Brasil)

SADOCK, B. James e SADOCK, V. Alcott – Compêndio de Psiquiatria – Porto Alegre: Artmed, 2007.

Maíra Amaral de Andrade – Psicóloga (CRP 05/32352), Orientadora Vocacional com foco em Avaliação Psicológica. Na área clínica trabalha com adolescentes com Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente é Diretora e Responsável Técnica do NIDH, empresa especializada na prestação de serviços na área da Psicologia. Paralelo ministra cursos e palestras relacionados à área de Avaliação Psicológica, Orientação Vocacional e Terapia Cognitivo-comportamental com adolescentes.

 

Abraços,

Equipe NIDH

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