Psicologia do esporte e a Copa do mundo

Por 6 de julho de 2018Notícias

MAÍRA AMARAL DE ANDRADE

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Dentro do ambiente esportivo e competitivo, alcançar metas e otimizar performances é uma demanda constantemente presente. Nesse quesito, a preparação psicológica não surge mais como um diferencial, mas como uma necessidade indiscutível. Ela assume importância tanto quanto a preparação física, técnica e tática dos atletas.

Psicologia do Esporte é uma ciência, que estuda os comportamentos de pessoas envolvidas no contexto esportivo e de exercício físico e que tem prestado importantes contribuições para a otimização da performance de atletas e equipes.

Dar aos atletas respaldo psicológico é tão importante quanto lhes fornecer uma alimentação balanceada, programada por nutricionistas. Afinal, o corpo físico e o mental são as duas faces de uma mesma unidade e merecem a igual atenção. Cuidar do corpo significa também percebê-lo como um todo unificado, do qual fazem parte emoções e estruturas mentais. O papel do psicólogo responsável pela saúde psíquica de um time se desenvolve a partir de uma abordagem das emoções vivenciadas pelos jogadores em sua rotina de trabalho (Franco, 2000).

É comum ouvir grandes atletas e treinadores dizerem: “temos que nos preparar psicologicamente para esta partida” ou “fisicamente o time está bem, mas psicologicamente vem passando por dificuldades” ou, ainda, “temos que elevar o moral para virarmos o jogo”.

As demandas psicológicas esportivas são inegáveis. Muitos atletas acabam sucumbindo diante de dificuldades que poderiam ser minimizadas caso houvesse um maior interesse de treinadores e dirigentes na contratação de psicólogos esportivos.

A atuação profissional mais conhecida está relacionada aos esportes de alto rendimento. Mas, não é só isso o foco do psicólogo do esporte.  As áreas de intervenção são compostas também: pelas práticas de tempo livre (atividade física como manutenção da saúde e do bem estar), pelo esporte escolar (a relação do praticante com o ambiente escolar, nos mais variados graus), pela iniciação esportiva (crianças e jovens envolvidas em atividades esportivas, pedagógicas e competitivas), pela reabilitação (recuperação psicológica de lesão de atletas e praticantes de esporte, assim como pessoas que praticam atividade física como meio para reabilitação ou inserção social, os obesos,  os doentes cardíacos, os doentes mentais, as pessoas com necessidades especiais entre outros), e por fim pelos projetos sociais (tem como intuito o esporte como meio de educação e socialização de crianças e jovens de comunidades carentes).

Muitas vezes os papéis da Psicologia do Esporte e da Psicologia Clínica são confundidos, na verdade são especialidades diferentes. Não se “transporta” para o ambiente esportivo o “divã”, as estratégias de intervenção dessas áreas podem ser em alguns momentos similares, porém os objetivos são distintos. Na área esportiva procuramos desenvolver as principais habilidades psicológicas para um bom desempenho.

O psicólogo esportivo foi o último integrante da comissão técnica interdisciplinar a ser reconhecido pelos clubes. Até hoje, o psicólogo sofre com o preconceito e a desinformação daqueles que, supostamente, deveriam zelar pelo bem estar dos atletas. Quando um novo profissional da área da saúde ingressa numa equipe de trabalho, mobiliza uma série de mecanismos psíquicos nos seus integrantes (simpatia, resistência etc.). Se este novo profissional é um psicólogo, pode ocorrer uma mobilização maior entre os membros da equipe. A percepção que cada ser humano tem do psicoterapeuta é bastante variável. Pode incluir desde expectativas de grande ajuda (beirando até o sobrenatural) até ansiedades persecutórias nos sujeitos mais inseguros. A percepção do serviço de Psicologia do Esporte depende da interação de fatores como experiência passada dos atletas com o Psicólogo esportivo, expectativas do grupo, confiança mútua e a especificidade da situação. A partir destes elementos, é de grande importância o modo pelo qual o psicólogo será apresentado aos membros de uma equipe esportiva.

Dentre as demandas do psicólogo do esporte são comuns:

– Manutenção da atenção;

– Memória;

– Foco e concentração;

– Motivação e automotivação;

– Diminuir a tensão e aliviar a ansiedade esportiva;

– Estabelecer ou melhorar a autoconfiança;

– Autocontrole e autoconhecimento;

– Alcance de metas esportivas (curto, médio e longo prazo);

– Contribuir para a prevenção de lesões, burnout e overtraining;

Por fim, o trabalho do psicólogo do esporte se faz importante ao favorecer um maior entendimento sobre os sentimentos, pensamentos e emoções que podem interferir na prática esportiva. Também atua nas relações que permeiam o ambiente esportivo.

 

Maíra Amaral de Andrade – Psicóloga (CRP 05/32352), Orientadora Vocacional com foco em Avaliação Psicológica. Na área clínica trabalha com adolescentes com Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente é Diretora e Responsável Técnica do NIDH, empresa especializada na prestação de serviços na área da Psicologia. Paralelo ministra cursos e palestras relacionados à área de Avaliação Psicológica, Orientação Vocacional e Terapia Cognitivo-comportamental com adolescentes.

Abraços,

Equipe NIDH

 

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