Terapia Cognitvo-comportamental

Por 21 de agosto de 2019Notícias

Maíra A. Andrade*

                “O que perturba o ser humano não são os fatos, mas a interpretação que ele faz dos fatos.” – Epitectus – Século I.

Atualmente ainda temos muitas pessoas que perguntam porquê buscar um atendimento psicológico. Ainda temos o grande equívoco de que psicólogo é para pessoas “malucas”. É preciso entender que não precisamos estar doentes para buscar ajuda psicológica. A Psicologia atua em diversas áreas, porém, a mais conhecida, é a área clínica. Na área clínica o psicólogo pode atuar com base em diversas abordagens, a Terapia Cognitivo-comportamental é uma delas.

Terapia Cognitivo-comportamental é um termo genérico que abrange uma variedade de mais de 20 abordagens dentro do modelo cognitivo e cognitivo-comportamental. As primeiras abordagens cognitivo-comportamentais iniciaram a ser descritas nos tratamentos emocionais na década de 60 e 70 com os autores Aaron Beck, Albert Ellis, Lazarus e Mahoney.

Três características fundamentais definem as terapias cognitivo-comportamentais:

  1. A atividade cognitiva influencia o comportamento;
  2. A atividade cognitiva pode ser monitorada e alterada;
  3. O comportamento desejado pode ser influenciado mediante a mudança cognitiva.

Para Beck, (1964), a Terapia Cognitivo-comportamental “baseia-se no modelo cognitivo, que levanta a hipótese de que as emoções e comportamentos das pessoas são influenciados por sua percepção dos eventos. Não é uma situação por si só que determina o que as pessoas sentem, mas antes, o modo como elas interpretam uma situação” (Beck, 1964).

Aaron Temkin Beck (18/09/1921 – 98 anos) é um psiquiatra norte-americano e professor emérito do departamento de psiquiatria na Universidade da Pensilvânia. Ele concebeu uma psicoterapia estruturada, de curta duração, voltada para o presente, direcionada para a solução de problemas atuais e a modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais (inadequados e/ou inúteis). A Terapia Cognitivo-comportamental tem como premissa a “inter-relação entre cognição, emoção e comportamento”. Seu objetivo principal é modificar os pensamentos e os sistemas de significados dos pacientes (ou seja, as crenças centrais), buscando a partir daí uma alteração emocional e comportamental consolidada e permanente. Essas crenças são construídas desde a infância sendo reafirmadas durante a vida.

A terapia cognitivo-comportamental é indicada para tratar diversos tipos de transtornos, tais como:  Transtorno obsessivo-compulsivo, ansiedade, depressão, entre outras.

A Terapia Cognitivo-comportamental auxilia o paciente a identificar diversos pensamentos disfuncionais, incluindo os que se denominam de erros cognitivos ou distorções cognitivas. Esses erros são entendidos como um processamento errôneo de uma determinada situação. Esse erro de interpretação faz com que o indivíduo tire conclusões precipitadas levando-o a escolhas de um caminho menos adequado e a supor sempre o pior.

As Distorções Cognitivas têm interseções e sobreposições, ou seja, um paciente pode apresentar mais de uma distorção analisando a mesma situação. Existem mais de dezesseis tipos de Distorções Cognitivas, sendo algumas delas:

  • Catastrofização;
  • Abstração Seletiva;
  • Maximização e Minimização;
  • Personalização;
  • Pensamento Absolutista;
  • Leitura Mental;
  • Adivinhação;
  • Rotulação;
  • Vitimização;
  • Baixa Tolerância à Frustração;
  • Incapacidade de Refutar;
  • Questionalização;

As Distorções Cognitivas acabam por gerar respostas negativas para as pessoas, gerando sentimentos como ansiedade, raiva, tristeza entre outros, ou mesmo o adoecimento, a causa principal da depressão são as distorções.

Na terapia cognitivo-comportamental, o psicólogo tem um papel ativo, colaborativo e educativo. Ele prepara o paciente através de técnicas e atividades de casa, a fim de mudar pensamentos e crenças. Isto possibilitará mais conhecimento sobre o funcionamento emocional e comportamental da pessoa em terapia.

Uma possibilidade de atuação do psicólogo na Terapia cognitivo-comportamental é a Terapia Racional Emotivo comportamental (TREC). Ela foi criada por Albert Ellis (1955), após ter se decepcionado com as terapias psicanalíticas. Teve influência de filósofos, como Epiteto e Marco Aurélio, e a seguinte frase o impactou: “as pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas por sua visão das coisas” (Epiteto). O Objetivo de Ellis com a TREC foi auxiliar as pessoas a maximizar sua individualidade, liberdade, interesses pessoais e autocontrole. Ajudar a viver de maneira envolvida, comprometida e seletivamente afetuosa. Em geral visa facilitar os interesses individuais e sociais.

Na TREC são utilizadas técnicas:

  • Cognitivas

– Método Socrático

– Semântico (Não consigo X Ainda não)

– Preferências (Negativas X Positivas)

– Imagens Mentais

  • Comportamentais

– Dessensibilização

– Inundação ao vivo

– Antiprocastinação

– Recompensas e punições.

  • Técnicas Emotivas

– Revelações Pessoais

– Métodos Lógicos

– Troca de Papéis

No âmbito geral, após o psicólogo identificar quais são as distorções mais apresentadas pelo paciente, deve psicoeducar o paciente, de forma que o paciente seja capaz de reconhecê-las e evitá-las em seu cotidiano. Feito isso, paciente e psicólogo buscam criar outras formas de pensar nas situações trazidas pelo paciente onde as distorções foram identificadas.

O paciente deve anotar esses pensamentos, sempre que, em seu cotidiano, perceber a distorção, portanto, o paciente deve modificar sua forma de pensar e introduzir o pensamento criado em terapia.

Haverá também tarefas que poderão ser feitas fora da terapia, em ambientes diversos, com intuito de melhorar a vida do paciente. Em casos de fobia social o psicólogo pode sugerir que o paciente vá a festa de um amigo conhecido, e que se arrisque em conversar com as pessoas na festa.

Todavia se o caso for realmente grave, o psicólogo poderá estar presente na situação, para apoiar e instruir o paciente, para sedimentar o aprendizado de novas situações que estimularão autonomia e autoeficácia.

O psicólogo deve ser capaz de perceber qual técnica será eficaz com determinado paciente e propô-la em sessão. Uma outra técnica muito utilizada pela terapia cognitiva comportamental, é a técnica de respiração, que auxilia o paciente a acalmar-se e reconectar-se consigo. Ao ensinar um treino de respiração o psicólogo espera que o paciente utilize-o, não apenas em sessão, mas em seu cotidiano, sempre que o paciente perceba que está ansioso ou que está perdendo o controle. A ansiedade, faz com que a pessoa perca a capacidade de raciocinar com clareza o que afeta a tomada de decisão. Ao introduzir o treino de respiração existe a possibilidade de retomada de controle. O ideal para iniciar a respiração é que o paciente sente-se em uma posição confortável e concentre-se, mas sabe-se que no cotidiano nem sempre fazer essa pausa é possível, por isso o treino é indicado para ser feito em qualquer lugar em diversos momentos.

Através do processo terapêutico, paciente e psicólogo, vão construindo uma convivência através do cuidado, da ética, e do tom amigável do profissional, para deixar o paciente à vontade para expor suas crenças, identificar seus pensamentos e examinar suas ações. Este processo se chama aliança terapêutica. Este é um elo construído pela empatia, acolhimento, reconhecimento e validação da experiência emocional, cognitiva e comportamental da pessoa em terapia.

A terapia cognitiva comportamental ao contrário do que as pessoas pensam, é uma terapia que se aprofunda na fala do paciente, que visa buscar na fala do paciente as origens de suas crenças, o que torna a mudança mais efetiva.

Texto publicado na página https://www.facebook.com/psicologiacienciaeprofissao/

 

Maíra Amaral de Andrade – Psicóloga (CRP 05/32352), Orientadora Vocacional com foco em Avaliação Psicológica. Na área clínica trabalha com Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente é Diretora e Responsável Técnica do NIDH, empresa especializada na prestação de serviços na área da Psicologia. Paralelo ministra cursos e palestras relacionados à área de Recursos Humanos, Avaliação Psicológica e Orientação Vocacional.

 

 

 

 

 

 

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