Transtorno opositor desafiador – Crianças que desafiam

Por 16 de abril de 2018Notícias

MAÍRA AMARAL DE ANDRADE

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Crianças com TOD (transtorno opositor desafiador), geralmente recebem ‘diagnósticos múltiplos’, onde mais de um transtorno é identificado, entre eles o TDAH (Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade).

A primeira característica importante do TOD é seu aspecto dimensional, pois apesar de haver alguns sintomas que são observados no desenvolvimento normal, a alta freqüência e a intensidade dos sintomas transformam comportamentos considerados normais em comportamentos disfuncionais geradores de forte impacto negativo sobre a dinâmica familiar e a vida social e escolar dos indivíduos afetados.

A desobediência das crianças é um problema que interessa a todos os pais, professores e pessoas que lidam com o público jovem. É necessário entender e identificar o transtorno opositor desafiador através do quadro sintomático que extrapola a simples desobediência de um jovem que se esforça para desenvolver a identidade marcando posições e definindo seu contorno a partir da oposição com o outro.

O transtorno opositor desafiador é uma condição comportamental comum entre crianças de idade escolar e pode ser definido como um padrão persistente de comportamentos negativistas, hostis, desafiadores e desobedientes observado nas interações sociais da criança com adultos e figuras de autoridade de uma forma geral, como pais, tios, avós e professores, podendo estar presente também em seus relacionamentos com amigos e colegas de escola. Esse transtorno pode estar relacionado com outras condições comportamentais e frequentemente precede o desenvolvimento do transtorno de conduta, uso de drogas e comportamento delinquencial.

As principais características do transtorno opositor desafiador são perda freqüente da paciência, discussões com adultos, desafio, recusa a obedecer a solicitações ou regras, perturbações e implicância com as pessoas, que podem ser responsabilizadas pela criança e pelos seus erros ou mau comportamento. Ela se aborrece com facilidade e em geral se mostra enraivecida, agressiva, irritada, ressentida e vingativa. São crianças que apresentam uma dificuldade no controle do temperamento e das emoções, uma teimosia persistente; elas são resistentes a ordens e parecem estar testando os limites dos pais a todo mundo.

 

Os sintomas aparecem em vários ambientes, mas é na sala de aula e em casa que estes podem ser mais bem-observados. Tais sintomas devem causar prejuízo significativo na vida social, acadêmica e ocupacional da criança. É importante observar que no transtorno opositor desafiador não há sérias violações de normas sociais ou direitos básicos alheios, como ocorre no transtorno de conduta. Os sintomas iniciais do TOD ocorrem normalmente entre 6 e 8 anos de idade.

Com freqüência essas crianças e adolescentes têm baixa autoestima e baixa tolerância às frustrações, humor deprimido, ataques de raiva e poucos amigos, pois costumam ser rejeitados pelos colegas por causa de seu comportamento impulsivo, opositor e de desafio às regras sociais do grupo. O início do uso abusivo de álcool e outras drogas merece especial atenção nesses casos, pois os conflitos familiares gerados pelos sintomas do transtorno, comportamentos de oposição e desafio podem facilitar o envolvimento problemático com essas substâncias no futuro.

É muito importante ressaltar que o transtorno opositor desafiador é muito mais do que aquela “birra” ou desafio típico de uma criança, que seria, na verdade, uma simples reação contextual de oposição, por exemplo, quando a criança deseja um sorvete e não é atendida pela mãe.

Algumas investigações clínicas são importantes para um correto diagnóstico. As avaliações devem incluir avaliação psicológica com psicólogos, avaliação clínica com psiquiatra infantil, avaliação familiar e avaliação escolar.

O tratamento para o Transtorno opositor desafiador inclui psicoterapia cognitivo-comportamental; terapia familiar; psicoeducação dos pais; psicoeducação escolar; atendimento psicossocial incluindo pais, familiares, professores, orientadores pedagógicos, funcionários da escola e amigos, se for o caso; além de tratamento medicamentoso. A escolha dos melhores tratamentos estão interligados ao diagnóstico e condição de cada paciente.

 

Esta matéria faz parte da edição de

março/abril da Revista Saúde e Cia.

 

 

 

Maíra Amaral de Andrade – Psicóloga (CRP 05/32352), Orientadora Vocacional com foco em Avaliação Psicológica. Na área clínica trabalha com adolescentes com Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente é Diretora e Responsável Técnica do NIDH, empresa especializada na prestação de serviços na área da Psicologia. Paralelo ministra cursos e palestras relacionados à área de Avaliação Psicológica, Orientação Vocacional e Terapia Cognitivo-comportamental com adolescentes.

 

 

Abraços,

Equipe NIDH

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